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Veneno... com Açúcar!
pseminveja@hotmail.com
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Sexta-feira, Abril 08, 2005
TELEGRAMA
"Sem Pénis, Nem Inveja" mudou de casa e de visual.
A nova morada é http://sempenisneminveja.weblog.com.pt/ . A partir de agora, as actualizações diárias só ali serão feitas.
Agradeço o interesse que tantos aqui demonstraram. Um novo endereço, o espírito de sempre aguarda-vos.
escrito por Tati 08:00
Veneno ou Açúcar?
Quinta-feira, Abril 07, 2005
. VENENO
Autor que não foi possível identificar
Invade os escaparates das livrarias. Nome insistente nas mãos de todos. Delas, em abono do rigor. Desde que abdiquei, sem alguma vez ter provado, de anos de favas guisadas com chouriço e entrecosto, declarando "não aprecio, nem o cheiro!", revi as minhas atitudes defensivas sob comando da intuição. Se favas bem cozinhadas são, afinal, deleite para o palato, por que não experimentar o produto que o homem tanto vende? E arrisquei. "Brida"e "Alquimista" os livros, Paulo Coelho o autor.
Tenho de reconhecer que as compras não foram exactamente escolhas, antes falta de assunto num dia cansado. Li de fio a pavio. A cada passo espantando-me com a prosápia subjacente a uma pseudo inovação literária e a minha tolerância ao persistir. Entre os livros de viagens espirituais que afirma escrever e um guia do American Express, reconheço a eficácia do segundo e a falácia dos «Paulos Coelhos». Promiscuamente expostos em lojas de conveniência à mistura com livros de pensamentos (outro delírio do marketing) e cartões lamechas de ursos abafados em flores.
Como leitora não faço ao autor falta nenhuma - nos milhões de devotos contam-se Julia Roberts, Bill Clinton, Shimon Peres e Madonna. É campeão de best-sellers, caso típico do self made man que afirma que o seu «negócio» é o sonho. Nem contesto. O meu é mais a vida.
escrito por Tati 08:37
Veneno ou Açúcar?
Quarta-feira, Abril 06, 2005
TROCAS E BALDROCAS
Olivia de Berardinis
"És bom demais para mim." Abundam relatos em que este dito pontifica. O olhar perplexo da vítima conserva a estupefacção inicial. E já revirou, dissecou, especulou sobre razão e significado de tão absurda classificação na escala da bondade. Entre quem disse e ouviu tudo parecia encaminhar-se para elo romântico, com direito a «amassos» e ternuras e mimos e seduções várias. Até um dia... O tal em que a guilhotina caiu sobre o afecto nascente. E o remate... o mesmo! Bondade a mais, faísca a menos.
Quando eles ou elas dizem frase de aparência tão banal e elogiosa, a descodificação é simples - "és uma excelente pessoa mas como isqueiro falta-te gás!" Ou então - "o que tivemos deu o que tinha a dar. Toca a «basar»!" Fica um remoendo e outro voando sem culpa à conta de, até no final, ter sido tão, mas tão bonzinho. Pois se até cuidou que não deixar na sarjeta a auto-estima do preterido...
Nos amigos vitimados por tal veredicto, constatei denominador comum: entregam-se com tal denodo aos retoques no amor idealizado, apaparicando o alvo do afecto, que este de duas uma - ou abafa sob tamanha devoção ou se atemoriza pelo retorno a que se sente obrigado.
Sem que fuja um angström da verdade, nunca tal fatídico dito ouvi ou me saiu da boquinha que, longe venha o dia!, engelhará como leque. Sou demasiado frontal para isso. Depois, há aquela mania de não alinhar em caridadezinhas oportunistas. A substância do que penso, se de afectos se trata, terá de ser coerente com o discurso. Poderei polir, mas não emboneco. E se amigo que muito prezo, substitui a verdade pela casca de banana da "bondade mal-empregue" como mandamento do happy end , é lá com ele. Rio, ao vê-lo discorrer sobre a receita. À prática digo não.
escrito por Tati 09:00
Veneno ou Açúcar?
Terça-feira, Abril 05, 2005
LOOK
Keith Garv
Se pessoas revelam indícios de cabeça furada e vazando mais que tacho de alumínio gasto e velho, o (ab)uso dos piercings tudo agrava. Nem me enredo em ociosa polémica sobre juízos de valor estéticos. Nada disso. Mas que os orifícios vagos, quando o enfeite caiu em desgraça, me lembram coador de cozinha que pouco retém, é verdade. Como se o corpo esburacado pudesse, a qualquer momento, esguichar fluidos inesperados. Pesadelo que evito alimentar.
Esteticamente, direi que alguns têm gracinha, outros são prometedores, e os que bailam na língua, argolam sobrancelhas ou narizes são obstáculos que não ultrapasso ao dialogar com o respectivo utente. Acto contínuo, a minha atenção centra-se na trajectória linguada ou na oscilação supraciliar do enfeite metálico. E lá se vai a consequência do que verbalizo.
Assumo cair na tentação de fazer brilhar o umbigo. Jeans descaídos e T-shirts subidas estão mesmo a pedir arrebique no dito - colo um brilhante de encher o olho e reflector da luz (arco-íris portátil e apetecível). O colante resiste a uns banhos, e mudo depois para outro de cor compatível com os trapinhos que enfio. Mas furar... nunca! Não furo, não mudo, não encho ou esvazio o património com que nasci. Está dito!
Com as tatuagens o mesmo. Se em sítios estratégicos e só vislumbradas, reconheço afinarem a curiosidade de ao todo haver acesso. Mas sendo a moda volúvel e a dor mal que evito, arrepia-me a ideia de torturar a pele para lá dos registos fatais que o forno me inflige em cada nova assadura. Sendo que em zonas pudendas a dor é mais certeira, configuro o sofrimento dos que tatuam ou armadilham os genitais. Que apetite ou êxtases acrescentarão?
TELEGRAMA
O "Sem Pénis, Nem Inveja" mudou de casa e de visual.
A nova morada é http://sempenisneminveja.weblog.com.pt/ . Durante breves dias actualizarei, em simultâneo, o antigo e o novo espaço; entretanto, agradeço a actualização dos links.
escrito por Tati 08:28
Veneno ou Açúcar?
Segunda-feira, Abril 04, 2005
AÇÚCAR
Terry Rodgers
"Women's talk." Que tópicos preferem. Há muito que o cimento dos estereótipos endureceu. Afirmam eles que trapos, maridos, namorados, intrigas, empregadas e receitas culinárias esgotam os temas. Nada que valha a pena e longe da elevação que eles usam para descrever o golo do Liedson, as curvas da Sandra da contabilidade e o declínio do Pinto da Costa.
Não faço a mínima ideia do que lhes motiva gargalhadas entre copos de um bom vinho numa jantarada de «meninos», ou canecas de cerveja pelo final da tarde. Por vezes, acode-me o delírio de pairar, invisível, e ouvi-los soltos e livres. Adianto que só o faria em estado de comatoso tédio. Ainda assim, não sei se, em desespero, não preferiria esparramar-me no sofá engolindo publicidade a detergentes.
Conversa de mulheres. Variada, ao sabor do momento, e sim!, cumpre pontos do estereótipo. Quem, senão um concílio de amigas, para nos acalmar quando ele tem uma crise de ciúmes irreal ou nega uma ida ao Norte para compras inocentes num joalheiro que faz peças únicas e fantásticas? Baratíssimas, ainda por cima! Quem nos anuncia em primeira mão aquele talho ultramoderno de Telheiras, com um catálogo capaz de deixar picada de inveja a ementa do Eleven? Quem mais percebe o tesouro que é a «minha Cila», dona de mão invejável para bolos, capaz de reproduzir fielmente a receita transmontana do meu arroz de pato e distinguir, após duas estações consecutivas, as camisas cujas gelhas me custaram os olhos da cara e em que não deve nem tocar, das que requerem apuro? Quem mais entende o valor do café que me traz, os olhos de mar sorrindo, ao espreitar desânimo no meu rosto?
Pese embora a importância inatacável de tudo de que falamos, não omitimos as penosas realidades sociais do momento. Ficam para o fim, é certo, ou entretêm o atraso sistemático da Margarida. Uma questão de hierarquia. Nada mais.
escrito por Tati 09:43
Veneno ou Açúcar?
Domingo, Abril 03, 2005
ACQUA_R_ELLAS
Jefrey Mims
"A vida não acaba, apenas se transforma quando a «tenda» se desfaz."
Palavras de S. Paulo aos Coríntios
Morte com verdade. A falência dos órgãos e a elevação do «Ser». Assunção digna do sofrimento. Na crença de, também pela agonia, O servir e glorificar a dor de quem sofre. Fim sem encenação - foi conhecida no momento em que ocorreu. Clivaram as pesadas tradições do Vaticano ao continuar acesa a luz do apartamento papal: a morte deixa vestígios e impõe cuidados. E quando o anel de Pedro de João Paulo II foi quebrado, já antes o martelo de prata lhe tocara três vezes na cabeça. Pela ausência de resposta confirmado o final que a todos espera.
Pediu perdão pelos erros históricos do homem. Deixou legado ecuménico e de humildade. Veio do frio e aqueceu no mundo o coração de crentes e não crentes. Venha do calor africano ou da América Latina novo Papa que preserve a energia ateada pelo Homem de Cracóvia. Conservador coerente e homem de paz. Como pai de família com filhos de todas as idades, não inovou de modo a chocar os mais velhos e limitou aspirações liberais dos mais novos. Quem vier a ocupar o trono de Pedro aguardará que as gerações fervorosas e tradicionais, que viveram o nazismo e a clausura comunista, se acomodem a novas realidades. No momento certo, terá a sensibilidade dum novo entendimento da sexualidade, do celibato dos sacerdotes ou do papel da mulher na Igreja. Porque tenho fé, acredito.
TELEGRAMA
O "Sem Pénis, Nem Inveja" irá mudar de casa e de visual. Deixará o template vivaço que, pelo ontem lido, também a Bomba inicialmente escolheu. Pelos dois anos de vida, sempre Inteligentes, agora cumpridos, muitos parabéns!
A nova morada é esta. Durante breves dias actualizarei, em simultâneo, o antigo e novo espaço ainda em construção; entretanto, agradeço a actualização dos links.
escrito por Tati 09:28
Veneno ou Açúcar?
Sábado, Abril 02, 2005
VENENO
Zamknij Okno
Não tenho a crença meridional no destino, tão pouco o espírito de vendetta siciliana. Os fornecedores de esperanças místicas, ou previsões astrológicas ao domicílio, comigo não fazem fortuna. Passo os olhos, em fastios de momento, pelas «bonecos» das inefáveis revistas de fofocas - a leitura estafaria os meus escassos bens neurológicos - até à sessão no ginásio ou a marcação no cabeleireiro. Manuseadas por mil mãos, fatalmente da semana passada. Decorre que o horóscopo é retrospectivo. Aí, diverte-me digeri-lo e ver como a "auspiciosa semana profissional" redundou num inusitado rol de tarefas burocráticas, e o homem da minha vida (mais um???) ficou-se, felizmente, pela costumada paciência do Sr. Nunes, o talhante, que me vai aturando as entregas domiciliárias e a criatividade ousada dos meus apetites. Explicitamente carnais, conquanto na forma de recheios e lardeados, como convém a mulher de bem que adora portar-se mal com toda a inocência e deleite.
Sendo as mulheres confrades, é feia a maledicência entre gente do mesmo grémio. Arrisco! À medida que os «enta» ameaçam, algumas de nós perdem a noção que o forno não está para bolos, nem o corpo para façanhas. Enredam-se em aventuras alambicadas e sofisticadas e, no final, é do corpo a pateada. Fogem da forma física como diabo da cruz e depois gemem como condenadas após cada confronto horizontal a que denodadamente se entregam. Doem pernas, braços, tudo o que mexe - "Parece que levei uma sova. Nem me fale, estou derreada!" - enquanto levantam os olhos num último espasmo orgástico e dizem "mas foi tão bom... Hoje não, mas daqui a uns dias... Hummm... parece-me bem." Ainda tento aproveitar as dores do corpo e o atraso das do espírito para as juntar ao rebanho ginasticado. A música, a alegria, a descompressão, cada músculo esticadinho e domado parecem bens atractivos. Vão à aula de teste, deitam bofes pela boca, suam estopinhas e, no final, esgotando os últimos fôlegos e mal se tendo nas pernas declaram - "Está louca? Isto é pior que malfeitorias do Santo Ofício. Nem pense!" Esquecem que jogar partidas com a vida julgando ter um ás na manga é tortura pior. Os lamentos e culpas por cada partida que perdem, provam-no.
escrito por Tati 09:28
Veneno ou Açúcar?
Sexta-feira, Abril 01, 2005
CORREIO SENTIMENTAL
«Idiossincrasias com género. Das masculinas anoto automóveis, futebol, e hipocondria de grau variável. Ido o alvor da paixão em que memorizámos o nome de todos os jogadores do Sporting e aprendemos a discernir qual a baliza que deve atrair a bola, o riso passa a sorriso cada vez mais amarelo, acabando no rilhar de dentes. Tem remédio?»
Para os congéneres, homem que não goste de futebol, passa a suspeito do costume. Indicia não os ter no sítio. Só muito rabo-de-saia convencerá do contrário. Automóveis (do Senna todos julgam ter um pouco) e tecnologias são afirmação viril, tranquilizadora para os pais que assim confirmam ser macho o rebento. A hipocondria é resquício da teima maternal no gorro de lã, do espirro vigiado pelo termómetro - "ai que tem uma pontinha de febre, coitadinho!" -, do "não comas porcarias fora de casa, não bebas, não fumes e no resto nem penses, e, se pensares, põe de uma só vez a caixa toda, não vá o diabo tecê-las." Mães possessivas e possuídas por distúrbio ansioso moldam nos infelizes a fragilidade. Passada a fase de se ficarem pelo jogo de cartas com as meninas, acrescem o lamento: "ter rapazes é um problema! A elas ainda podemos dar-lhe a pílula ao pequeno-almoço, agora a eles... Não os podemos obrigar a sair de casa com «ele» já enfiado."
Nestas coisas das diferenças sexuadas nos comportamentos, o melhor remédio é a tolerância. Que esperamos de volta. Recolhendo a informação possível do espécime com quem coabitamos, de molde a hierarquizar, com sensatez, a prioridade que nos devem merecer as queixas. E depois, mãos caridosas vão dando ajuda. A FHM - For Him Magazine - faz a fineza de nos elucidar. A maior preocupação deles é o Osvaldo. Para lá das medidas, o espectro de um pontapé nos guarda-costas do dito, ou atitudes indisciplinadas do mesmo, são temores que os afligem. Declaram julgar, em momentos especiais (haja bom senso!), que "todas os querem fazer". Gostam de pornografia, conservam uma relação de amor/ódio com a barba, já traíram todas excepto a do momento. Mais dizem temer a rejeição (nós também ou porventura serão ETs?), agradecerem dicas sobre o desempenho do violino durante o concerto, e odiarem ver divulgados recortes lamechas da infância.
Para as distraídas do companheiro que têm, e na falta de manual de instruções, há a FHM como complemento pedagógico - mais divertida e menos redutora que a Maxmen. Sem que substitua o afecto e muita, muita paciência.
escrito por Tati 15:27
Veneno ou Açúcar?

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